
A detenção provocou forte impacto sobre o noivo de Malangeni, que serviu nas Forças Armadas norte-americanas. Em declarações à imprensa local, ele afirmou estar desesperado com a possibilidade de a companheira ser deportada.
Segundo ele, os dois planejavam se casar e construir a vida juntos nos Estados Unidos. Agora, diante da possibilidade de remoção para a África do Sul, ele teme inclusive não estar ao lado da companheira durante o nascimento do filho.
O homem pediu publicamente que o governo norte-americano liberte Malangeni enquanto sua situação migratória é discutida.
O fato de ela estar grávida ou de seu noivo ter servido nas Forças Armadas, entretanto, não elimina automaticamente uma ordem de remoção. Processos desse tipo dependem da situação migratória individual e de eventuais recursos apresentados perante as autoridades e tribunais de imigração.
Caso ocorre em meio ao endurecimento migratório
A prisão acontece em um momento de forte endurecimento da fiscalização migratória nos Estados Unidos. Além do aumento das detenções e deportações, o governo norte-americano também ampliou a revisão e o cancelamento de vistos de estrangeiros.
Segundo dados divulgados pelo governo, mais de 175 mil vistos foram revogados, envolvendo diferentes situações e alegações de violações das leis norte-americanas.
O Departamento de Estado afirma que parte das revogações envolve estrangeiros acusados de crimes, incluindo agressão, furto e delitos relacionados a drogas. Mais de uma centena de vistos também teria sido cancelada em casos relacionados ao chamado “turismo de nascimento”, quando autoridades entendem que estrangeiros viajaram aos Estados Unidos com o objetivo de dar à luz no país para que os filhos obtivessem cidadania norte-americana.
Organizações de direitos civis e defensores de imigrantes têm criticado aspectos do endurecimento das políticas migratórias e do aumento da fiscalização, especialmente diante da expansão da análise de redes sociais e de preocupações relacionadas à liberdade de expressão.
No caso de Nqobile Malangeni, entretanto, o ICE sustenta que a detenção está diretamente relacionada ao fato de ela ter ultrapassado o período autorizado de permanência e possuir uma ordem final de remoção.
Enquanto o processo segue, a sul-africana permanece sob custódia federal, e seu noivo tenta evitar que a deportação separe o casal justamente durante a gravidez e antes do nascimento do filho.