
Após 21 anos de fuga, ex-policial acusado de matar brasileira com tiro na cabeça é preso
Da Redação
Dan Hiers Jr. passou mais de duas décadas foragido e chegou a integrar a lista dos 15 mais procurados do U.S. Marshals; ele foi trazido da China em julho e agora está em Berkeley County para responder pela morte de Ludimila Hiers
Mais de duas décadas depois da morte da brasileira Ludimila Hiers, de 24 anos, um caso que mobilizou autoridades americanas e atravessou continentes entra em uma nova fase. Dan Hiers Jr., ex-policial de Charleston e acusado de assassinar a própria esposa em 2005, está novamente na Carolina do Sul para responder à Justiça.
Hiers, atualmente com 53 anos, foi registrado na quinta-feira, dia 3 de setembro, no Hill-Finklea Detention Center, em Moncks Corner, no Condado de Berkeley. A transferência representa um passo importante para que o processo relacionado à morte da brasileira finalmente avance depois de mais de 21 anos.
O caso começou em 15 de março de 2005, quando Ludimila foi encontrada morta dentro da residência onde vivia com o marido em Goose Creek, na Carolina do Sul.
De acordo com as autoridades, a jovem brasileira foi atingida por um tiro na parte de trás da cabeça enquanto dormia. Hiers foi visto pela última vez naquele mesmo dia e desapareceu. Posteriormente, um mandado de prisão por homicídio foi expedido contra ele.
Na época da morte de Ludimila, Hiers era policial de Charleston, mas sua carreira já havia sido interrompida por uma investigação criminal.
Segundo o U.S. Marshals Service, ele havia sido suspenso do departamento em 2004 depois de ser acusado de conduta sexual criminosa envolvendo uma menor. Em novembro daquele ano, chegou a ser preso por acusações relacionadas ao caso e posteriormente foi colocado em liberdade mediante fiança.
Uma coincidência de datas tornou o desaparecimento ainda mais significativo para os investigadores. No mesmo dia em que Ludimila foi encontrada morta, Hiers deveria comparecer ao Departamento do Xerife de Dorchester County acompanhado de seu advogado para tratar das acusações que enfrentava. Ele nunca apareceu.
Com o avanço da investigação sobre a morte da brasileira, Hiers passou a ser considerado fugitivo.
Em junho de 2005, apenas três meses depois do crime, o U.S. Marshals Service colocou seu nome na lista dos 15 fugitivos mais procurados dos Estados Unidos. Sua fotografia e informações sobre o caso foram divulgadas nacionalmente, inclusive em programas de televisão dedicados à localização de criminosos procurados.
FUGITIVO FOI LOCALIZADO NA CHINA
Durante anos, o paradeiro do ex-policial permaneceu um mistério. A investigação acabaria levando as autoridades para milhares de quilômetros de distância da Carolina do Sul.
Hiers foi localizado na China, onde teria vivido durante anos utilizando outra identidade. Informações divulgadas após sua localização indicam que ele usava o nome David Williams e chegou a trabalhar como professor de inglês em Xangai.
Uma pista decisiva teria surgido ainda em 2018, quando uma ex-aluna reconheceu semelhanças entre o professor que conhecia como David Williams e as fotografias de Dan Hiers divulgadas pelas autoridades americanas.
A localização, entretanto, não significou um retorno imediato aos Estados Unidos. Como os EUA e a China não possuem um tratado bilateral de extradição, o processo exigiu cooperação e negociações entre autoridades dos dois países.
Somente em julho de 2026, mais de 21 anos depois do desaparecimento, agentes americanos conseguiram assumir a custódia de Hiers em Xangai e levá-lo de volta aos Estados Unidos.
Segundo o U.S. Marshals Service, a operação contou com cooperação das autoridades chinesas e participação de diferentes órgãos americanos, entre eles o Departamento de Estado, FBI e Departamento de Justiça.
DE VOLTA AO LOCAL ONDE O CASO COMEÇOU
Depois de permanecer sob custódia desde sua chegada aos Estados Unidos, Hiers foi agora transferido para Berkeley County, onde está preso em razão do mandado relacionado à morte de Ludimila.
A transferência encerra uma espera de mais de duas décadas para que o acusado volte à jurisdição onde ocorreu o crime.
Autoridades locais destacaram a importância do avanço do caso para os familiares da brasileira. O chefe da Polícia de Goose Creek, Tom Hill, afirmou que a volta do acusado à Carolina do Sul permitirá que o sistema judicial dê continuidade à busca por responsabilização no caso.
Além da acusação de homicídio pela morte de Ludimila, Hiers ainda enfrenta uma acusação em Dorchester County relacionada a conduta sexual criminosa envolvendo uma menor, segundo as autoridades federais.
A chegada do ex-policial a Berkeley County não representa uma condenação. Hiers é acusado de matar Ludimila e deverá ter as acusações analisadas pela Justiça, com direito à defesa e à presunção de inocência.
Para a família da brasileira, entretanto, o retorno do suspeito à Carolina do Sul representa um momento aguardado desde março de 2005. Depois de uma fuga que atravessou mais de duas décadas e terminou do outro lado do mundo, o caso que parecia destinado a permanecer sem resposta volta agora aos tribunais americanos.