
Um levantamento realizado pelo governo federal para encontrar uma área capaz de acomodar centenas de veículos da imigração colocou Boston novamente no centro das divergências sobre a atuação da ICE. A administração da prefeita Michelle Wu informou que pretende acompanhar o processo e procurar os responsáveis por imóveis privados que demonstrarem interesse em negociar com a agência.
A necessidade apresentada pela Immigration and Customs Enforcement prevê espaço para 249 veículos em Boston. Neste momento, porém, o procedimento funciona como uma consulta ao mercado: a agência procura saber quais locais poderiam atender às suas necessidades antes de decidir como uma eventual locação será realizada.
A movimentação chamou a atenção da prefeitura por indicar uma possível ampliação da estrutura disponível para as atividades federais na região.
Em entrevista à WCVB, Michelle Wu explicou que Boston não foi consultada previamente sobre a iniciativa. Segundo ela, conseguir informações diretamente das autoridades federais sobre determinadas ações migratórias tem sido difícil.
Diante disso, a administração municipal pretende utilizar mecanismos de acesso a informações públicas para tentar identificar quem manifestar interesse na oportunidade anunciada pelo governo federal.
Caso consiga localizar esses proprietários, a prefeitura pretende procurá-los diretamente. O objetivo será apresentar a posição da cidade e tentar convencê-los a não disponibilizar seus espaços para essa finalidade.
Apesar da reação, Wu reconhece uma importante limitação jurídica: a cidade não pode simplesmente impedir uma pessoa ou empresa de alugar uma propriedade particular para uma agência do governo dos Estados Unidos.
A situação é diferente quando o espaço pertence ao município. Uma ordem executiva adotada anteriormente pela prefeita estabelece restrições à utilização de estacionamentos, parques e outras propriedades municipais pela ICE sem a autorização legal necessária.
No setor privado, portanto, a estratégia será baseada principalmente no diálogo com os proprietários, e não em uma proibição.
A política adotada em Boston encontra resistência entre defensores de uma colaboração maior com as autoridades migratórias.
Jessica Vaughan, do Center for Immigration Studies, afirma que as limitações impostas à cooperação acabam levando agentes federais a realizar mais ações fora de centros de detenção. Para ela, autoridades locais deveriam ter maior liberdade para atender determinadas solicitações da ICE envolvendo pessoas que já estão sob custódia.
Essas solicitações, conhecidas como detainers, podem pedir que uma pessoa permaneça detida por determinado período para que autoridades migratórias possam assumir sua custódia.
Boston, entretanto, possui regras próprias que restringem a participação da polícia municipal em procedimentos relacionados exclusivamente à aplicação civil das leis de imigração. Essa política está vinculada ao Boston Trust Act.
A procura pelas vagas ainda está em uma fase preliminar e não significa que um estacionamento específico já tenha sido escolhido ou que um contrato tenha sido fechado.
Mesmo assim, a movimentação federal já provocou reação política na cidade. De um lado, a administração Wu busca limitar o apoio local às operações migratórias. Do outro, críticos defendem que uma cooperação maior poderia reduzir a necessidade de agentes federais realizarem ações diretamente nas comunidades.
A definição sobre onde os veículos poderão ficar dependerá agora das respostas recebidas pelo governo federal e das próximas etapas do processo de contratação.
Mín. 12° Máx. 16°