
A fronteira dos Estados Unidos atravessa um período de forte redução no número de imigrantes interceptados, enquanto a administração de Donald Trump amplia ações de fiscalização e busca consolidar no Congresso regras mais rígidas para o sistema migratório.
Dados divulgados pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) indicam que as apreensões diárias estão 94% abaixo dos níveis registrados durante a administração de Joe Biden. Segundo o governo, o volume atual representa o menor registrado em aproximadamente três décadas.
A Casa Branca também afirma que chegou a 15 meses consecutivos sem utilizar a liberação de imigrantes detidos na fronteira como procedimento para permitir que aguardem seus casos dentro do país. A política faz parte da estratégia adotada pelo governo para aumentar o controle sobre entradas irregulares.
O DHS atribui a redução dos cruzamentos a mudanças nos procedimentos de fiscalização e à intensificação das operações conduzidas pelas autoridades migratórias. A administração afirma que pretende manter essas ações ao longo dos próximos meses.
Com menos detenções relacionadas à imigração, agentes federais continuam concentrando esforços na identificação de drogas e mercadorias ilícitas transportadas através da fronteira.
Em julho, segundo números apresentados pelo DHS, o volume de contrabando apreendido ficou 26% acima do parâmetro utilizado pelo departamento para comparação com a administração Biden.
As operações resultaram na localização de diferentes tipos de entorpecentes, incluindo fentanil, cocaína, heroína, metanfetamina e maconha.
A atuação da U.S. Customs and Border Protection (CBP) também envolve o controle comercial nos pontos de entrada do país. No mesmo mês, a agência informou ter identificado cerca de US$ 23 bilhões relacionados a tarifas de importação que deveriam ser recolhidas.
Parte das medidas adotadas pela administração Trump também está sendo discutida no Congresso. Uma proposta apresentada na Câmara dos Representantes pretende estabelecer novas regras para diferentes etapas do processo migratório.
O texto inclui aumento das consequências legais para determinadas violações das normas de entrada e permanência no país, mudanças no processamento de pedidos de asilo e limitações ao uso de mecanismos que permitem a alguns imigrantes permanecer fora da custódia enquanto aguardam decisões.
Também estão previstas alterações relacionadas ao humanitarian parole, instrumento utilizado em situações específicas para permitir a entrada temporária de estrangeiros nos Estados Unidos.
Além das mudanças legais, a proposta destina recursos à infraestrutura de fiscalização, incluindo ampliação do efetivo, modernização de instalações e adoção de equipamentos como drones, radares e tecnologias biométricas.
A redução registrada na fronteira tornou-se um dos principais argumentos da administração para defender sua política migratória. O tema, porém, deve continuar ocupando espaço no debate nacional à medida que novas medidas avançam no Congresso e são submetidas à análise dos tribunais.
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