
Maisa Lopes Eliaser já estava em voo para o Brasil quando agentes do ICE receberam uma ligação e autorizaram seu retorno aos Estados Unidos; após mais de um mês detida, ela voltou para casa na Louisiana
Uma brasileira de 32 anos, casada com um militar do Exército dos Estados Unidos, voltou para casa após uma mudança inesperada em seu processo de deportação. Maisa Lopes Eliaser já havia sido colocada em um voo com destino ao Brasil quando agentes de imigração receberam uma ligação e ofereceram a ela a possibilidade de retornar aos Estados Unidos.
Maisa estava sob custódia federal desde 8 de julho, quando foi detida durante um atendimento relacionado ao seu processo migratório. Ela entrou legalmente nos Estados Unidos em 2019 com visto de turista, mas permaneceu no país depois do período autorizado. Em 15 de abril, um juiz de imigração emitiu uma ordem final de remoção.
A brasileira é casada desde 2024 com Alexis Jaramillo, de 43 anos, sargento do Exército americano e especialista em operações de aviação. Ele serve nas Forças Armadas há mais de dez anos e precisou se afastar temporariamente de suas atividades em Fort Polk, na Louisiana, para cuidar do filho de 5 anos de Maisa durante o período em que ela permaneceu detida.
A situação teve uma reviravolta na quarta-feira, 12 de agosto. Maisa foi colocada em um voo de deportação para o Brasil, mas, durante a viagem, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) receberam uma ligação relacionada ao caso.
Segundo o relato da brasileira à Associated Press, após o contato, um agente perguntou se ela preferia continuar a viagem ou retornar aos Estados Unidos. Maisa escolheu voltar. Enquanto outros passageiros sob custódia desembarcaram no Brasil, ela permaneceu na aeronave e fez o caminho de volta para a Louisiana. A identidade da pessoa responsável pela ligação que provocou a mudança não foi divulgada.
Maisa contou ainda que agentes chegaram a comentar que ela havia ficado conhecida devido à repercussão de vídeos e notícias sobre sua situação. O caso ganhou projeção nacional em meio ao debate sobre detenções de familiares de integrantes das Forças Armadas americanas.
A situação da brasileira também chamou a atenção de parlamentares. Após reportagens sobre casos envolvendo parentes de militares, democratas no Congresso abriram uma investigação sobre detenções e deportações de integrantes das Forças Armadas e seus familiares.
O senador Mark Kelly, do Arizona, ex-oficial da Marinha americana, também atuou no caso. Segundo sua equipe, Kelly entrou diretamente em contato com o escritório do ICE responsável pela detenção de Maisa.
A organização Repatriate Our Patriots, que presta apoio a famílias de militares que enfrentam questões migratórias, também acompanhou a situação e comemorou a reunião da brasileira com sua família.
Depois de mais de um mês afastada da família, Maisa relatou dificuldades para dormir e disse ainda estar abalada pela experiência no centro de detenção. Mesmo de volta para casa, ela e o marido afirmam que continuam apreensivos diante dos próximos passos do processo.
Uma nova audiência está prevista para esta segunda-feira, 17 de agosto. O objetivo é tentar reabrir o processo migratório para que Maisa possa avançar na tentativa de regularizar sua situação e obter a residência permanente nos Estados Unidos, conhecida como green card.
Jaramillo afirma ter recebido indicações de que a esposa não deverá enfrentar novos problemas imediatos, mas o casal permanece cauteloso após os acontecimentos das últimas semanas.
Até a divulgação das informações sobre a libertação, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), responsável pela supervisão do ICE, não havia apresentado uma explicação pública para a decisão que interrompeu a deportação.
Mín. 16° Máx. 29°