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EUA acusam 11 pessoas de comandar esquema com mais de mil casamentos falsos para obtenção de green cards

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16/08/2026 às 00h00
Por: Leandro Vieira
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Autoridades federais dos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 12 de agosto, o indiciamento de 11 pessoas acusadas de participar de um esquema nacional de fraude migratória que teria organizado mais de mil casamentos falsos ao longo de mais de uma década. O objetivo, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), era permitir que estrangeiros obtivessem ilegalmente benefícios migratórios, incluindo a residência permanente, o chamado green card.

A dimensão do esquema chamou a atenção dos investigadores. De acordo com a acusação federal, a organização não se limitava a colocar cidadãos americanos e estrangeiros em contato para realizar casamentos de conveniência. Havia uma estrutura destinada a criar a aparência de relacionamentos verdadeiros diante das autoridades de imigração.

Segundo os promotores, integrantes do grupo organizavam os casamentos, preparavam os participantes para o processo migratório e ajudavam a produzir evidências que pudessem ser apresentadas como provas de que os relacionamentos eram legítimos. A maioria dos clientes do esquema seria formada por cidadãos chineses interessados em obter status migratório nos Estados Unidos.

Uma das partes mais impressionantes da investigação está justamente na forma como os supostos relacionamentos eram construídos. As autoridades afirmam que eram realizadas sessões de fotografias e outras encenações para produzir registros dos “casais”, material que posteriormente poderia ser utilizado durante o processo de imigração para tentar demonstrar que havia uma vida conjugal verdadeira.

Segundo a Associated Press, encontros familiares chegaram a ser encenados em restaurantes como parte da estratégia para produzir evidências de relacionamentos aparentemente legítimos.

A organização também teria auxiliado na preparação da documentação necessária para que os estrangeiros apresentassem seus pedidos às autoridades americanas.

O esquema teria movimentado dezenas de milhões de dólares. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, estrangeiros poderiam pagar valores que chegavam a aproximadamente US$ 100 mil pelo serviço, enquanto cidadãos americanos recrutados para participar dos casamentos poderiam receber milhares de dólares.

De acordo com o Departamento de Justiça, a suposta conspiração funcionou durante mais de dez anos e teria sido responsável pela organização de mais de 1.000 casamentos fraudulentos destinados à obtenção de benefícios migratórios nos Estados Unidos.

A investigação contou com a participação de autoridades federais, incluindo a Homeland Security Investigations (HSI), divisão investigativa do Departamento de Segurança Interna, além de outras agências envolvidas no combate a fraudes migratórias.

Para os investigadores, o caso representa uma operação de grande escala justamente porque não se tratava de episódios isolados de pessoas que decidiram realizar um casamento por conveniência. A acusação descreve uma estrutura organizada e lucrativa, preparada para recrutar participantes, montar relacionamentos fictícios e acompanhar os processos apresentados ao governo americano.

Nos Estados Unidos, casar exclusivamente com o objetivo de burlar as leis de imigração pode configurar crime federal. Além das consequências criminais para quem organiza ou participa conscientemente da fraude, estrangeiros envolvidos podem enfrentar sérios problemas migratórios.

O caso também chama atenção para o nível de investigação utilizado pelas autoridades para determinar se um casamento apresentado em um processo de imigração é legítimo. Fotografias, documentos e declarações, isoladamente, não garantem que as autoridades considerarão verdadeira uma relação quando surgem indícios de fraude.

As prisões e acusações anunciadas nesta quarta-feira representam um importante avanço na investigação de um esquema que, segundo o governo federal, teria explorado o sistema migratório americano durante anos.

É importante destacar, entretanto, que as 11 pessoas foram formalmente acusadas, mas ainda não foram consideradas culpadas. As acusações apresentadas pelo governo são alegações que deverão ser comprovadas no tribunal. Pela legislação americana, todos os réus são presumidos inocentes até que sua culpa seja estabelecida judicialmente.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou os detalhes da operação e das acusações nesta quarta-feira.

 

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