
Um sargento da ativa do Exército dos Estados Unidos afirmou se sentir “traído” pelo governo norte-americano depois que sua esposa, a brasileira Maisa Lopes Eliaser, de 32 anos, foi detida por agentes de imigração justamente durante uma entrevista marcada para dar continuidade ao processo de obtenção do green card por meio do casamento.
A prisão ocorreu em Montgomery, no Alabama, segundo relato do Sargento do Estado-Maior Alexis Jaramillo, de 43 anos, que serve ao Exército dos EUA há 11 anos.
Jaramillo contou à revista Newsweek que compareceu à entrevista acompanhado da esposa, do filho dela e de um tradutor. A família acreditava que estava cumprindo mais uma etapa do processo para que Maisa obtivesse a residência permanente legal nos Estados Unidos.
O encontro, no entanto, terminou de maneira inesperada. Segundo o militar, funcionários da imigração separaram a brasileira da família e informaram que ela seria colocada sob custódia.
“Eu me sinto realmente traído. Eu sirvo este país e mereço alguma segurança para minha família”, declarou Jaramillo. Segundo ele, a família estava animada porque acreditava estar fazendo tudo corretamente e seguindo as exigências do governo.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) apresentou uma versão diferente sobre a situação migratória da brasileira. Segundo o órgão, Maisa entrou legalmente nos Estados Unidos em 18 de junho de 2019, vinda do Brasil, e estava autorizada a permanecer no país até 17 de dezembro daquele ano, mas teria permanecido após o vencimento da autorização.
O DHS informou ainda que um juiz de imigração do Departamento de Justiça emitiu contra ela uma ordem final de remoção em 15 de abril de 2026.
Em declaração, o departamento afirmou que ter um familiar servindo às Forças Armadas norte-americanas não concede automaticamente status migratório legal nem impede a aplicação das leis de imigração.
De acordo com o DHS, Maisa permanecerá sob custódia do ICE enquanto aguarda sua remoção dos Estados Unidos.
Família afirma que buscava regularização
Jaramillo, entretanto, sustenta que a família vinha tentando resolver a situação da brasileira pelas vias legais. Segundo o militar, Maisa inicialmente solicitou asilo depois de chegar aos Estados Unidos e, posteriormente, iniciou o processo para conseguir residência permanente por meio do casamento.
Ele afirmou que a família foi informada de que Maisa teria perdido uma entrevista para coleta de dados biométricos relacionada ao processo de asilo, situação que teria contribuído para a emissão da ordem de remoção. Jaramillo também afirma que a petição relacionada ao green card por casamento havia sido aprovada antes da prisão da esposa.
A defesa tentou reabrir o processo migratório, mas, segundo o militar, o pedido foi negado. O caso estaria agora sendo analisado pelo Board of Immigration Appeals (BIA), órgão responsável por revisar determinadas decisões tomadas pelos tribunais de imigração.
Brasileira foi transferida para centro de detenção na Louisiana
Após ser detida no Alabama, Maisa teria sido inicialmente levada para uma cadeia do condado. Posteriormente, foi transferida para o South Louisiana ICE Processing Center, em Basile, Louisiana, onde permanece detida, segundo o marido.
Jaramillo afirma que a esposa tem enfrentado dificuldades durante a detenção, incluindo interrupções frequentes do sono, rotina limitada e forte desgaste emocional. Ele também critica a forma como os imigrantes são tratados dentro da unidade, afirmando que os detidos são submetidos a condições semelhantes às enfrentadas por criminosos.
Além da batalha migratória, o militar relata que a prisão provocou forte impacto emocional sobre a família. Jaramillo afirma ter sofrido ataques de pânico desde a detenção da esposa e diz enfrentar dificuldades principalmente para explicar a situação ao enteado, que constantemente pergunta quando a mãe retornará para casa.
Para tentar proteger a criança do impacto da situação, o militar contou que diz ao menino que a mãe está em um “hotel”, aguardando a conclusão de documentos antes de poder voltar.
O sargento afirma que continuará recorrendo às alternativas legais disponíveis para tentar libertar a esposa.
O caso também chama atenção para o impacto da atual política de fiscalização migratória sobre famílias ligadas às Forças Armadas. Segundo dados citados pela Associated Press e reproduzidos pela Newsweek, mais de 50 pais e cônjuges de militares da ativa teriam sido detidos desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, em janeiro de 2025. Pelo menos seis teriam sido deportados e uma pessoa teria deixado voluntariamente os Estados Unidos.
Enquanto o processo segue na esfera migratória, Jaramillo afirma que continuará lutando para reunir novamente a família. Para ele, a situação é especialmente difícil por ter dedicado mais de uma década de sua vida ao Exército norte-americano e, ainda assim, ver a esposa sob custódia das autoridades federais de imigração.
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