
O brasileiro Leandro Oliveira Xavier, natural de Salvador (BA) e integrante da organização cultural SambaFunk!, em Oakland, na Califórnia, completa mais de oito meses detido por autoridades de imigração dos Estados Unidos enquanto trava uma longa batalha judicial para permanecer no país. Familiares, amigos e colegas de trabalho lançaram a campanha "Free Leo, Free Them All" ("Libertem Leo, Libertem Todos") para dar visibilidade ao caso e arrecadar recursos para sua defesa jurídica.
Leandro foi preso em 4 de dezembro de 2025, quando compareceu ao que acreditava ser apenas mais uma entrevista de rotina com o serviço de imigração em San Francisco. Desde sua chegada aos Estados Unidos, em 2024, ele vinha cumprindo regularmente todas as exigências das autoridades migratórias, após solicitar asilo e obter autorização para trabalhar legalmente enquanto aguardava o julgamento do pedido. No entanto, ao comparecer ao agendamento, acabou sendo detido por agentes do ICE. Segundo defensores dos direitos dos imigrantes, esse tipo de prisão passou a ocorrer com mais frequência durante o governo Donald Trump, que intensificou as detenções de pessoas que comparecem voluntariamente às audiências e entrevistas de imigração.
Desde então, o brasileiro permanece no Centro de Detenção Mesa Verde, em Bakersfield, Califórnia. Amigos afirmam que ele enfrenta condições precárias dentro da unidade. Um relatório divulgado pelo Departamento de Justiça da Califórnia apontou deficiências em centros de detenção administrados pelo ICE no estado, incluindo problemas relacionados à alimentação, assistência médica, saúde mental e uso excessivo da força por parte de agentes de segurança.
Conhecido por sua atuação na música e na valorização da cultura afro-brasileira, Leandro integra o grupo SambaFunk! como percussionista e educador. Antes disso, também passou a tocar na banda Namorados da Lua (NDL) logo após chegar aos Estados Unidos. Amigos descrevem o brasileiro como um artista respeitado pela comunidade e alguém que rapidamente construiu fortes laços de amizade em Oakland.
Durante o período de detenção, familiares organizaram uma campanha de arrecadação de fundos para custear os honorários advocatícios e tentar obter sua liberdade mediante pagamento de fiança. Em manifestações realizadas em frente ao escritório do ICE em San Francisco, colegas e apoiadores classificaram a prisão como injusta e pediram sua libertação imediata.
A situação jurídica do brasileiro, porém, tornou-se ainda mais complexa. Segundo organizações que acompanham o caso, Leandro entrou nos Estados Unidos pela fronteira com o México, foi processado pelas autoridades e, em seguida, solicitou asilo. Enquanto aguardava o julgamento, possuía autorização de trabalho válida, condição que não impede uma eventual deportação antes da decisão final do processo.
Em março deste ano, um juiz de imigração concedeu ao brasileiro a chamada "withholding of removal", uma proteção que impede sua deportação para o Brasil por reconhecer riscos em seu retorno. A medida, entretanto, não equivale à concessão de asilo e ainda permite que o governo americano tente removê-lo para um terceiro país disposto a recebê-lo. O magistrado afirmou que concederia o asilo, mas entendeu estar impedido de fazê-lo em razão de uma regra criada durante o governo Biden, posteriormente considerada ilegal por um tribunal federal. Apesar dessa decisão judicial, o pedido de reabertura do processo de asilo permanece pendente e sem previsão de julgamento, principalmente após a redução do número de juízes de imigração.
Enquanto aguarda uma definição da Justiça, Leandro transformou sua experiência em música. Durante uma ligação telefônica autorizada, familiares gravaram uma canção composta por ele dentro do centro de detenção. Na letra, o brasileiro relata os meses de encarceramento, descreve o sofrimento de famílias separadas pelas políticas migratórias e faz um apelo por liberdade para todos os imigrantes que enfrentam situação semelhante.
Amigos e familiares afirmam que continuarão recorrendo aos tribunais para tentar garantir sua libertação e permitir que ele retorne à comunidade de Oakland, onde construiu sua vida profissional e pessoal. Segundo eles, o caso simboliza os desafios enfrentados por milhares de imigrantes que aguardam decisões sobre pedidos de asilo enquanto permanecem sob custódia das autoridades de imigração americanas.
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