
Congressistas democratas dos Estados Unidos anunciaram uma investigação para buscar esclarecimentos sobre ações migratórias envolvendo familiares de militares em serviço ativo durante a administração do presidente Donald Trump.
A iniciativa ocorre após uma investigação da Associated Press (AP) relatar que mais de 50 cônjuges e pais de integrantes das Forças Armadas foram detidos por autoridades federais de imigração.
Mais de 60 legisladores democratas enviaram uma carta ao Departamento de Segurança Interna (DHS), ao Departamento de Defesa e ao Departamento de Assuntos dos Veteranos (VA), solicitando informações sobre como as políticas migratórias estão sendo aplicadas às famílias ligadas às Forças Armadas.
Entre os principais questionamentos está a existência de eventual coordenação entre o Pentágono e as autoridades de imigração em casos envolvendo militares e seus familiares.
A iniciativa é liderada por nomes como a senadora de Massachusetts Elizabeth Warren, o senador de Connecticut Richard Blumenthal e a senadora de Illinois Tammy Duckworth.
Segundo os parlamentares, situações envolvendo a detenção ou remoção de familiares podem afetar diretamente integrantes das Forças Armadas, inclusive aqueles que precisam se afastar temporariamente de suas funções para cuidar dos filhos ou resolver questões familiares.
Os democratas também querem saber se o Departamento de Defesa avaliou possíveis consequências dessas situações para o moral, a retenção de pessoal e a prontidão das tropas.
Além disso, os legisladores questionaram a divulgação, por recrutadores militares, de informações sobre determinadas proteções migratórias disponíveis a familiares e pediram esclarecimentos sobre a situação atual dessas políticas.
Em posicionamento divulgado à AP, o Departamento de Segurança Interna afirmou reconhecer as contribuições dos integrantes das Forças Armadas, mas destacou que ter um familiar servindo no Exército, Marinha, Força Aérea ou em outro ramo militar não concede automaticamente situação migratória regular.
Segundo o DHS, as leis de imigração continuam sendo aplicáveis às pessoas que não possuem autorização legal para permanecer no país.
O Pentágono informou que responderá diretamente aos parlamentares responsáveis pela carta. O Departamento de Assuntos dos Veteranos não havia apresentado resposta pública imediata, segundo a reportagem.
A investigação da AP também apontou mudanças na maneira como determinadas proteções migratórias utilizadas anteriormente por famílias de militares vêm sendo aplicadas.
Durante anos, políticas federais permitiram que algumas pessoas ligadas diretamente a militares solicitassem mecanismos migratórios específicos enquanto buscavam regularizar sua situação nos Estados Unidos.
Agora, os parlamentares querem informações detalhadas sobre eventuais mudanças nesses procedimentos e sobre quantas famílias militares foram afetadas.
Segundo informações fornecidas anteriormente pelo Departamento de Defesa aos democratas, o órgão não havia realizado uma análise específica sobre os efeitos das deportações de familiares no moral e na prontidão das tropas.
O debate ocorre também no momento em que o governo Trump anunciou a criação de uma comissão dedicada às condições enfrentadas por cônjuges de integrantes das Forças Armadas.
A comissão é presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, e deverá apresentar recomendações destinadas a melhorar a qualidade de vida das famílias militares.
Em documento publicado no Federal Register em 6 de agosto, Trump destacou a importância dos cônjuges para a estabilidade e a capacidade operacional das Forças Armadas.
Organizações que prestam assistência a militares, veteranos e seus familiares também acompanham o assunto e defendem maior proteção para famílias que enfrentam processos migratórios.
Até o momento, a questão continua sendo objeto de debate entre parlamentares e integrantes do governo federal. Os democratas afirmam que buscarão respostas dos órgãos envolvidos sobre as políticas atualmente adotadas e seus possíveis impactos sobre as famílias de militares.
Fonte das informações: Associated Press (AP).