
O caso da cidadã bielorrussa Katsiaryna Bartko, de 33 anos, tem provocado forte repercussão entre defensores dos direitos dos imigrantes nos Estados Unidos após denúncias de que ela teria deixado de receber medicamentos essenciais enquanto estava sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
Sobrevivente de um câncer de tireoide, Bartko depende diariamente de medicação hormonal e suplementação de cálcio desde que passou por uma cirurgia para retirada da glândula. Sem esse tratamento contínuo, seu organismo não consegue manter níveis adequados de cálcio, condição que pode colocar sua vida em risco.
Segundo o companheiro da imigrante e documentos médicos divulgados por ele, Bartko foi levada ao hospital três vezes em apenas quatro dias durante o período em que permaneceu detida. Em uma das internações, os exames apontaram níveis extremamente baixos de cálcio no sangue, quadro conhecido como hipocalcemia grave, considerado uma emergência médica por poder provocar espasmos musculares, convulsões, alterações cardíacas e até morte se não tratado rapidamente.
O companheiro da bielorrussa afirma que ela não recebeu regularmente os medicamentos dos quais depende para sobreviver. Em uma carta enviada às autoridades de imigração, ele alertou que, sem a atenção médica adequada, Bartko poderia "literalmente morrer em um centro de detenção por falta dos medicamentos necessários".
Ainda de acordo com os relatos, após as hospitalizações, Bartko foi transferida entre diferentes centros de detenção e continuou enfrentando dificuldades para receber a suplementação de cálcio prescrita pelos médicos. Seu parceiro informou ter encaminhado dezenas de páginas de prontuários e documentos médicos às autoridades para comprovar a necessidade do tratamento contínuo.
O caso também chamou atenção por relatos de que algumas despesas hospitalares teriam sido registradas em nome da própria detida, em vez de serem encaminhadas ao ICE, responsável por sua custódia.
Até o momento, o ICE não divulgou uma resposta pública detalhada sobre as alegações específicas envolvendo o atendimento médico de Katsiaryna Bartko. Também não há confirmação independente de todos os relatos apresentados por seu companheiro, embora os registros médicos divulgados confirmem as hospitalizações e a gravidade de sua condição clínica.
Organizações que atuam na defesa dos direitos dos imigrantes afirmam que o episódio reforça preocupações sobre o acesso a atendimento médico adequado para pessoas mantidas em centros de detenção migratória nos Estados Unidos. Para esses grupos, garantir a continuidade de tratamentos essenciais é uma obrigação legal e humanitária, especialmente em casos envolvendo doenças graves ou condições crônicas que exigem medicação diária.