
O ex-congressista americano George Santos concordou em pagar cerca de US$ 35 mil para encerrar uma investigação da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC) sobre operações consideradas irregulares na plataforma de mercados de previsão Kalshi.
O acordo, anunciado na sexta-feira, está relacionado a negociações realizadas antes do discurso do Estado da União do presidente Donald Trump. Segundo a CFTC, Santos utilizou informações que apenas ele conhecia para negociar contratos sobre um evento cujo desfecho dependia diretamente de sua própria decisão: comparecer ou não ao pronunciamento presidencial.
De acordo com a agência reguladora, o ex-congressista publicou mensagens nas redes sociais dando a entender que participaria do evento, o que teria influenciado o preço dos contratos negociados na plataforma. Posteriormente, ele vendeu essas posições e passou a apostar que não compareceria ao discurso. Como acabou não indo ao evento, obteve um lucro superior a US$ 17 mil, valor que, segundo a CFTC, foi obtido por meio de manipulação do mercado.
Pelos termos do acordo, George Santos deverá devolver US$ 17.569,98 referentes aos lucros obtidos com as operações, além de pagar uma multa civil de US$ 17.500, totalizando aproximadamente US$ 35 mil. A CFTC também determinou que ele ficará proibido de negociar na Kalshi e em outros mercados regulados pela agência por um período de três anos.
Apesar do acordo, Santos não admitiu qualquer irregularidade. Em nota, afirmou que aceitou a proposta apenas para "deixar o assunto para trás". Seu advogado, Joseph Murray, declarou que a decisão foi tomada para evitar uma disputa judicial longa e dispendiosa, ressaltando que o acordo não representa uma confissão de culpa.
A investigação teve início após a própria Kalshi identificar movimentações consideradas suspeitas na conta de Santos e comunicar o caso às autoridades federais. Embora o episódio também tenha sido encaminhado ao Departamento de Justiça (DOJ), não houve, até o momento, anúncio de acusações criminais relacionadas a esse caso específico.
Especialistas avaliam que o episódio representa um dos primeiros grandes testes da fiscalização federal sobre os chamados mercados de previsão, plataformas nas quais investidores negociam contratos baseados na probabilidade de determinados eventos ocorrerem. O caso também reforça o entendimento dos reguladores de que pessoas com capacidade de influenciar diretamente o resultado de um evento não podem lucrar utilizando informações privilegiadas ou manipulando esse tipo de mercado.