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Lombardi Júnior fala sobre a Copa do Mundo de 2026

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Redação
Por: Redação Fonte: Eliana Marcolino
08/08/2026 às 11h25 Atualizada em 08/08/2026 às 13h23
Lombardi Júnior fala sobre a Copa do Mundo de 2026

Lombardi Júnior é um renomado jornalista que representou a “Nossa Rádio USA” na cobertura da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva ao jornal Brazilian Times, ele relatou um pouco sobre sua experiência na cobertura desse grande evento esportivo.

BRAZILIAN TIMES: Conte um pouco sobre a sua experiência na cobertura da Copa do Mundo de 2026.

LOMBARDI JUNIOR: Foi a experiência mais incrível da minha vida. Foram viagens e muitas histórias construídas por meio do futebol, que é exatamente aquilo que faço há anos.Ainda no Brasil, eu não imaginava que, quando chegasse aqui aos Estados Unidos, seria assim, muito menos que seria contemplado com uma Copa do Mundo para uma cobertura como rights holder e media partner, transmitindo os jogos do Brasil e, pela primeira vez, como narrador.

Então, essa experiência foi excelente, porque, nas outras Copas que cobri, atuei como comentarista e repórter. Desta vez, narrei pela primeira vez. Foi uma experiência ímpar.

Foi uma experiência incrível, com dias que pareciam não terminar. E que pena que terminou, porque a gente já está morrendo de saudade.Foi muito interessante. O mais importante e diferente é cobrir uma Copa para brasileiros que estão fora de seu país, falando com uma comunidade com a qual você convive todos os dias e levando toda a sua experiência para essa cobertura.Foi inesquecível, espetacular e diferente.

BT: Como você avalia o desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo? Na sua opinião, qual foi a maior fragilidade da equipe pentacampeã?

LJ: O desempenho do Brasil foi muito mediano. O Brasil fez uma primeira fase razoável e conseguiu, na base da força da camisa, vencer o Japão no primeiro confronto de mata-mata.

Havia a expectativa de que Neymar viria para jogar, e ele jogou alguns minutos, fazendo um gol quando a vaca já tinha ido para o brejo. Essa é a grande verdade.

Então, faltou muito à Seleção, principalmente no último jogo, quando teve chances de passar pela Noruega e não aproveitou. Parecia que o Brasil era o time inferior, historicamente, e que a Noruega era o time grande, que chegou e se impôs.

O que falta ao Brasil? Um centroavante, por exemplo, em comparação com o time que nos eliminou. Eles têm um centroavante; nós não temos.Um meia, um camisa 10 articulador de jogo, nós também não temos. Hoje, não temos mais. E um goleiro que resolva e pegue bolas difíceis na hora em que for necessário. Isso também não temos, apesar de Alisson já ter cumprido três ciclos de Copa.

Entre outros pontos, faltou muito por parte de Ancelotti, que é um excelente treinador, indiscutivelmente, mas poderia ter feito mais no comando da Seleção, ainda que de forma emergencial. Ele ficou no básico.

BT:Qual é a sua análise sobre a conquista da Espanha? A vitória foi uma surpresa para você ou, na sua opinião, a seleção espanhola já era a favorita ao título?

LJ:A conquista da Espanha foi justíssima, sobretudo pela campanha no mata-mata, quando o time se acertou, depois de fazer uma primeira fase na qual empatou o primeiro jogo. Só que empatou com Cabo Verde, que foi a grande sensação da Copa.

Não foi uma surpresa, porque eles já vinham de boas campanhas e títulos, inclusive de uma Euro que conquistaram. A Espanha era uma das seleções favoritas antes de a Copa começar.

O sistema defensivo armado pelo treinador, esse sim, foi bem diferenciado. A Espanha ganhou a Copa de forma justa. Não me surpreendeu, porque estava entre as favoritas, apesar de eu achar que a França tinha mais qualidade individualmente.Mas Copa do Mundo não se ganha apenas com os melhores jogadores, individualmente falando. Haja vista o Brasil da década de 1980. Por isso, a Espanha ganhou com justiça.

BT: Entre todos os jogadores que disputaram a Copa do Mundo, qual foi, na sua opinião, a “figurinha” que saiu mais valorizada?

LJ:Bom, entre os jogadores que disputaram a Copa, pensando nessa “figurinha valorizada”, como você mencionou na pergunta, e fazendo uma analogia com um álbum, acho que, nessa primeira página, não dá para deixar de fora Rodri, que foi considerado o melhor jogador da Copa. Para mim, ele não foi o melhor, mas é tão seguro e tão bom em todos os jogos que, pela regularidade, a gente até aceita.

Jude Bellingham, jogador da Inglaterra, fez uma excelente Copa, individualmente falando. Mbappé, mais uma vez, provou que é um jogador de Copa. E, se não foi o melhor, está entre os melhores. Yamal foi campeão, mas deixou a desejar individualmente, considerando tudo o que também se esperava dele.

Então, vamos lá: Rodri, ok, foi eleito o melhor jogador da Copa. Destaco também, sem dúvida, Jude Bellingham, que foi um grande nome pela Inglaterra. Mbappé mostrou que é goleador e sabe jogar uma Copa. Ele cresce em Copas do Mundo.

Agora, não dá para deixar de colocar Messi como destaque desse álbum. Talvez ele tenha sido melhor nesta Copa, mesmo sendo vice-campeão, do que na última, que venceu com a Argentina.

Individualmente, ele foi o grande destaque. Houve polêmica em torno do nome dele, mas, aos 39 anos, jogando na liga americana e conduzindo a Argentina da forma como fez em alguns jogos — eu estive em Atlanta e vi de perto —, para mim, ele foi o melhor.

Meu destaque do álbum é Messi.

BT: Na sua visão, qual é o maior legado desta Copa do Mundo?

LJ:O maior legado da Copa, sem dúvida, foi o da organização e o de como um business pode faturar com sua credibilidade. Apesar de a Copa ter praticado preços abusivos, o que realmente não ficou de acordo com o grande público, em termos de modelo de negócio, eles investiram em uma ideia, fizeram uma Copa em três países e foram criticados, a ponto de muita gente dizer que não haveria adesão por causa dos preços.

O mundo todo se uniu e veio para os Estados Unidos, com uma parte também no México e  Canadá. No Canadá, a Copa não teve tanta valorização, até porque isso foi proporcional ao que se destinou ao país, e, no México, aconteceu a mesma coisa.

De modo geral, ficou provado que os Estados Unidos conseguem realizar vários eventos ao mesmo tempo. Embora tenha havido críticas envolvendo a forma como o país lida, em termos organizacionais, com algumas questões — como os preços praticados e os conflitos com algumas prefeituras —, isso não foi positivo.

Mas, por ter realizado uma Copa em meio à complicação migratória, do jeito que está e da forma como foi, o legado é mostrar que a Copa do Mundo é o maior evento do mundo, não apenas esportivo.Eles conseguiram comprovar isso porque, mesmo em meio às dificuldades, realizaram esse evento da forma como fizeram.

Participei de toda a Copa, fui a vários estados e vi como a organização e a distribuição de diferentes povos no mesmo lugar funcionaram de forma eficaz aqui nos Estados Unidos.

É um grande business. Copa é Copa e continua sendo. Agora, cada vez mais países estão sendo envolvidos. A Copa quer ampliar seu poderio como um dos maiores eventos do mundo.

Acho que o retrato deixado aqui nos Estados Unidos foi exatamente este: mostrar que isso é capaz de acontecer de forma soberana.Para mim, já é assim. Mas, ao unir mais países e aumentar o número de seleções, acho que esse foi o grande legado: reunir mais povos em um evento esportivo, mesmo em meio a guerras e conflitos.

O futebol traz esse lado de paz e união, e isso foi comprovado nesta Copa.

@lombardijunior

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