
Uma nova realidade tem preocupado integrantes das Forças Armadas dos Estados Unidos: familiares próximos de militares da ativa passaram a enfrentar ações mais rigorosas das autoridades de imigração.
Um levantamento da Associated Press identificou mais de 50 casos envolvendo pais ou cônjuges de militares que foram colocados sob custódia migratória desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump. A apuração aponta ainda que algumas dessas pessoas já deixaram os Estados Unidos após decisões relacionadas aos seus processos.
A situação ganhou força depois que o governo federal modificou, em abril de 2025, a forma como determinados casos envolvendo famílias de militares são tratados. Na prática, vínculos familiares com integrantes das Forças Armadas deixaram de representar uma consideração suficiente para evitar ações de fiscalização migratória.
A mudança tem provocado preocupação dentro de famílias que dependem desses parentes para cuidar dos filhos e administrar a rotina doméstica enquanto o militar cumpre suas obrigações profissionais.
Especialistas citados pela AP avaliam que essas situações também podem trazer consequências para o funcionamento das próprias Forças Armadas. Militares podem precisar solicitar licenças, reorganizar cuidados familiares ou lidar com dificuldades pessoais durante períodos de treinamento, transferência ou serviço.
Entre os casos apresentados está o de Hedar Leonel Turcios Juarez, sargento do Exército baseado em Fort Bliss, no Texas. Sua esposa foi levada pelas autoridades de imigração em julho. Segundo o militar, a situação familiar passou a afetar sua capacidade de manter a atenção totalmente voltada à carreira.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) defendeu a aplicação das atuais regras e ressaltou que ter um familiar servindo às Forças Armadas não significa, automaticamente, possuir autorização legal para permanecer nos Estados Unidos.
Durante anos, autoridades migratórias adotaram maior cautela em processos envolvendo familiares imediatos de militares da ativa. Ex-funcionários do ICE relataram à Associated Press que medidas mais severas contra essas famílias eram pouco comuns no passado, principalmente quando não existiam questões consideradas graves no histórico da pessoa.
O número total de famílias atingidas permanece incerto. Não há um banco de dados público do governo dedicado especificamente a identificar quantos pais ou cônjuges de militares foram alcançados pelas recentes ações migratórias.
A Associated Press chegou aos casos por meio da análise de processos judiciais, entrevistas com advogados e familiares e informações divulgadas em diferentes regiões do país.
A questão amplia o debate sobre como a política de imigração deve ser aplicada quando envolve famílias de pessoas que estão atualmente prestando serviço militar aos Estados Unidos.