
O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, defendeu as condições dos centros de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) após a morte de um imigrante sob custódia na unidade Delaney Hall, em Nova Jersey. Segundo o secretário, as instalações cumprem e superam os padrões federais de atendimento e apresentam índices de mortalidade inferiores aos das prisões administradas pelos estados.
Em entrevista à emissora NewsNation, Mullin afirmou que o Delaney Hall tem sido alvo de críticas e protestos por parte de grupos que questionam as condições oferecidas aos detentos. O secretário rebateu as acusações, dizendo que a unidade oferece um padrão de atendimento superior ao de muitas penitenciárias estaduais.
A declaração ocorre após a morte de Edwin Jovanny Lopez-Cornejo, de 41 anos, registrada em 1º de agosto. De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), o detento sofreu uma emergência médica e morreu em decorrência de uma parada cardíaca enquanto estava sob custódia.
A versão oficial, no entanto, é contestada pela família de Lopez-Cornejo. Em entrevista à afiliada local da NewsNation, a PIX11, familiares afirmaram que ele não recebeu o atendimento médico necessário para tratar problemas de saúde já existentes, levantando questionamentos sobre a assistência prestada dentro da unidade.
Durante a entrevista, Mullin também abordou outros temas relacionados à política de imigração do governo do presidente Donald Trump. O secretário acompanhou uma visita à fronteira entre os Estados Unidos e o México, onde apresentou medidas de reforço da segurança, incluindo a construção de novos trechos do muro de fronteira, a instalação de barreiras flutuantes e o uso de sistemas avançados de monitoramento por câmeras.
Segundo Mullin, o governo mantém diálogo com governadores democratas para ampliar a cooperação em questões migratórias. Ele afirmou que declarações recentes sobre vistos de trabalho e anistia foram retiradas de contexto e defendeu maior colaboração entre estados e governo federal para combater crimes envolvendo imigrantes em situação irregular.
O secretário também comentou a retomada das abordagens de trânsito por agentes de imigração, afirmando que esse tipo de fiscalização deve ser utilizado apenas como último recurso nas operações de cumprimento das leis migratórias.
Em relação às deportações, Mullin afirmou que as ações continuam em ritmo elevado, com média de aproximadamente 4.200 deportações por dia. Ele informou ainda que as autoridades já iniciaram procedimentos contra cidadãos haitianos cujo Status de Proteção Temporária (TPS) expirou, incentivando a saída voluntária do país.
Outro tema abordado foi o combate aos cartéis de drogas. Mullin reconheceu a existência de casos de corrupção em altos níveis no México, mas ressaltou que a cooperação entre os governos dos dois países continua fortalecida sob a liderança da presidente Claudia Sheinbaum. Segundo ele, a parceria é fundamental para enfrentar organizações criminosas que atuam na região de fronteira.
Ao falar sobre a imigração irregular, o secretário reconheceu que as travessias ilegais dificilmente serão eliminadas completamente. Ainda assim, defendeu o uso de novas tecnologias e barreiras físicas para reduzir o fluxo de entradas não autorizadas e ampliar a capacidade de atuação da Patrulha de Fronteira.
As declarações de Mullin ocorrem em meio ao endurecimento da política migratória do governo Trump e ao aumento das críticas de organizações de direitos humanos sobre as condições em centros de detenção administrados pelo ICE, especialmente após mortes de pessoas sob custódia e denúncias relacionadas ao acesso à assistência médica.