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ICE usa redes sociais como fonte de informações em investigações migratórias nos Estados Unidos

Documentos oficiais mostram que publicações e outras informações disponíveis abertamente na internet podem ser analisadas para gerar pistas investigativas; prática amplia debate sobre privacidade e exposição digital

03/09/2026 às 00h00
Por: Leandro Vieira Fonte: Da Redação
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Publicações feitas nas redes sociais podem fornecer informações utilizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) durante investigações. Documentos oficiais do Departamento de Segurança Interna (DHS) confirmam que a agência utiliza conteúdo publicamente disponível na internet, incluindo informações encontradas em plataformas sociais, como parte de suas atividades investigativas.

A prática significa que aquilo que uma pessoa deixa acessível publicamente na internet pode, dependendo das circunstâncias, ajudar investigadores a estabelecer conexões, confirmar informações ou desenvolver novas pistas.

Um documento de avaliação de privacidade do DHS dedicado especificamente ao uso de informações públicas pelo ICE explica que a agência utiliza plataformas e ferramentas capazes de realizar consultas recorrentes em sites de fontes abertas e contas públicas nas redes sociais.

Segundo o documento, as informações obtidas dessa maneira podem ser utilizadas para “gerar pistas investigativas”. Os agentes devem posteriormente avaliar se o material encontrado é relevante e buscar confirmar sua precisão antes que as informações sejam incorporadas aos sistemas da agência ou utilizadas para desenvolver uma nova pista.

Na prática, uma grande quantidade de informações pode estar disponível publicamente: fotografias, vídeos, comentários, publicações, nomes, referências a locais, vínculos entre pessoas e outras informações compartilhadas pelos próprios usuários.

Isso não significa, porém, que todo comentário publicado na internet automaticamente provoque uma investigação ou uma prisão. O documento oficial estabelece procedimentos para determinar a relevância das informações encontradas e exige verificação adicional antes de seu uso investigativo.

Também é importante diferenciar conteúdo público de informações protegidas por configurações de privacidade.

De acordo com o DHS, as ferramentas de consulta recorrente descritas no programa devem acessar somente informações que uma pessoa comum conseguiria encontrar por meio de buscas básicas na internet. Elas não podem ser utilizadas, nesse contexto específico, para contornar configurações de privacidade e acessar conteúdo que exija uma conta ou que não esteja disponível ao público.

O uso de informações encontradas na internet pelo ICE existe há anos. O próprio documento do DHS menciona uma política interna de 2012 que estabeleceu princípios para a utilização de informações públicas e não públicas disponíveis online por agentes da imigração.

Nos últimos anos, entretanto, o alcance do monitoramento digital realizado por órgãos de imigração passou a receber maior atenção.

Em setembro de 2025, o DHS publicou outra avaliação relacionada a ferramentas analíticas utilizadas para proteger agentes, instalações e operações do ICE. Nesse programa, a agência declarou que poderia coletar legalmente informações provenientes de fontes abertas e ambientes públicos de redes sociais para identificar possíveis ameaças contra funcionários e instalações.

Reportagens mais recentes também apontam uma intensificação desse tipo de atividade. Em julho de 2026, a revista Wired informou que o Office of Professional Responsibility, setor responsável por investigações internas do ICE, havia aberto mais de 100 casos relacionados ao que autoridades classificaram como episódios de divulgação de informações pessoais de agentes e ameaças feitas pela internet.

Já uma investigação publicada pelo Wall Street Journal em agosto apontou uma expansão do acompanhamento de conteúdo público em plataformas como Instagram, Facebook, Reddit e X. Segundo a reportagem, autoridades afirmam que parte dessas iniciativas busca identificar ameaças contra funcionários, enquanto organizações de defesa das liberdades civis demonstram preocupação com os possíveis impactos sobre a liberdade de expressão.

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