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Grávida de cinco meses é mantida com filho de 2 anos em centro de detenção do ICE no Texas

Família denuncia falta de acompanhamento especializado durante gravidez considerada de alto risco; DHS contesta acusação e afirma que jovem recebeu avaliações médicas

25/08/2026 às 17h00
Por: Leandro Vieira Fonte: Da Redação
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Laura Rojas Ortiz
Laura Rojas Ortiz

Uma jovem de 21 anos, grávida de cinco meses, está detida há mais de 40 dias ao lado do filho de 2 anos em um centro de detenção de imigração no Texas. O caso de Laura Rojas Ortiz ganhou repercussão após familiares denunciarem as condições em que ela estaria sendo mantida no Dilley Immigration Processing Center e levantarem questionamentos sobre o atendimento médico oferecido durante a gestação.

Laura foi detida depois de comparecer a uma apresentação de rotina ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em Dallas. Segundo sua mãe, Paola, a jovem vinha cumprindo regularmente as determinações das autoridades migratórias e utilizava uma tornozeleira eletrônica.

Na época da detenção, Laura também estava iniciando o processo para solicitar um visto U, benefício migratório destinado a determinadas vítimas de crimes que colaboram com as autoridades. De acordo com a família, o pedido estaria relacionado a um tiroteio ocorrido na região onde ela vivia. Uma bala teria atravessado paredes e atingido de raspão seu filho. Laura havia se apresentado na fronteira sul dos Estados Unidos, acompanhada do filho e do companheiro, mais de um ano antes.

A mãe afirma que a gestação de Laura é considerada de alto risco e denunciou que a filha não havia passado por ultrassom, exames de sangue ou avaliação de um especialista durante o período de detenção.

A família também levantou preocupação com o filho de 2 anos. Segundo Paola, antes da detenção o menino consumia apenas leite sem lactose, mas teria recebido leite integral dentro da unidade.

Outra denúncia chama atenção. Paola afirmou à ABC News que, durante uma visita recente de parlamentares ao centro de Dilley, Laura teria sido levada para uma sala médica sob a informação de que seria examinada. Segundo a mãe, ela teria permanecido no local durante a passagem dos políticos e saído depois que eles deixaram a unidade. A alegação da família não foi confirmada de forma independente.

A visita ao centro de detenção contou com o deputado democrata Joaquin Castro e outros parlamentares. Castro afirmou que mais de 500 pessoas estavam detidas na unidade e disse que o grupo foi autorizado a conversar com apenas um menor. Parlamentares e organizações de defesa dos imigrantes vêm questionando as condições enfrentadas por famílias e crianças no local.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), no entanto, apresentou uma versão diferente sobre o atendimento prestado a Laura.

Em declaração à ABC News, um porta-voz informou que ela continuará sob custódia do ICE enquanto aguarda os procedimentos de remoção e negou que esteja sofrendo negligência médica.

Segundo o DHS, Laura foi examinada por profissionais de saúde 24 horas depois de chegar ao centro de Dilley, ocasião em que a gravidez teria sido identificada. O médico teria prescrito vitaminas pré-natais, determinado que ela utilizasse uma cama inferior, autorizado lanches no período da noite e feito um encaminhamento para atendimento obstétrico.

O governo afirmou ainda que uma consulta de obstetrícia estava programada para agosto. De acordo com o DHS, Laura também recebeu atendimento em duas ocasiões após apresentar dor de cabeça e dor ao urinar. O departamento acrescentou que avaliações relacionadas à gravidez foram realizadas em 30 de junho, 17 de julho e 25 de julho.

O caso também reacendeu o debate sobre a permanência de mulheres grávidas sob custódia migratória.

Organizações de defesa dos imigrantes argumentam que a detenção entra em conflito com uma diretriz do próprio ICE segundo a qual pessoas sabidamente grávidas, no período pós-parto ou amamentando, em regra, não devem ser presas ou permanecer detidas, exceto em circunstâncias específicas.

O principal responsável médico do DHS, Dr. Sean Conley, já rejeitou acusações mais amplas de que imigrantes estejam sendo privados de assistência adequada. Segundo o departamento, pessoas sob custódia têm acesso a serviços médicos, odontológicos, de saúde mental e de saúde da mulher, além de acompanhamento e atendimento emergencial 24 horas.

Enquanto governo e familiares apresentam versões diferentes sobre a assistência recebida, Laura permanece detida com o filho pequeno. O caso coloca novamente sob escrutínio a política de detenção de famílias e, principalmente, as condições oferecidas a gestantes e crianças mantidas sob custódia das autoridades de imigração dos Estados Unidos.

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